Vai usar seu carro nas eleições? Veja o que pode mudar no seguro

Durante o período eleitoral, é comum encontrar carros adesivados, transportando materiais de campanha ou sendo usados nos deslocamentos das equipes.

Mas existe uma pergunta que pouca gente faz antes de começar:

Será que o seguro do veículo precisa ser avisado sobre essa nova utilização?

Se o seu seguro foi contratado declarando que o carro é de uso particular, mas durante a campanha eleitoral ele passou a fazer parte de uma rotina de trabalho, pode ter ocorrido uma mudança relevante na forma de utilização do veículo.

E é melhor esclarecer isso antes de acontecer um sinistro.

🎥 Prefere assistir? Neste vídeo, explico de forma rápida o cuidado com o seguro quando o carro passa a ser usado em atividades relacionadas às eleições.

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Colocar adesivo político no carro faz perder o seguro?

Não necessariamente.

Colocar um adesivo de candidato no carro não significa, sozinho, que o veículo perdeu a cobertura. Ter materiais de campanha dentro do automóvel também não cria uma regra universal de recusa de indenização.

O que precisa ser analisado é como esse veículo está sendo utilizado na prática.

Uma coisa é continuar usando normalmente o seu carro particular e apenas colocar um adesivo. Outra situação é passar a utilizá-lo diariamente para:

  • transportar materiais de campanha;
  • circular a serviço de candidato, partido ou comitê;
  • levar integrantes da equipe;
  • participar frequentemente de ações eleitorais;
  • realizar atividades remuneradas ligadas à campanha;
  • percorrer distâncias e trajetos diferentes da rotina declarada.

Nesse caso, o que pode chamar a atenção da seguradora não é apenas o adesivo. É a possível mudança na utilização e no perfil de risco do veículo.

Por que a utilização do carro é importante para a seguradora?

Na contratação do Seguro Auto, a seguradora faz perguntas para conhecer o risco que está assumindo.

Dependendo da empresa, podem ser solicitadas informações sobre:

  • uso particular ou profissional;
  • utilização para trabalho;
  • condutores do veículo;
  • local de circulação e pernoite;
  • rotina de utilização;
  • atividade exercida com o automóvel.

Essas informações podem influenciar a análise do risco, a aceitação do seguro e o valor cobrado.

Por isso, quando a utilização do carro muda durante a vigência da apólice, é importante verificar se essa alteração precisa ser comunicada.

A Lei nº 15.040/2024, que estabelece normas sobre o contrato de seguro, determina que o segurado comunique à seguradora quando tomar conhecimento de um agravamento relevante do risco.

Isso não significa que toda mudança gera automaticamente aumento de preço, cancelamento ou perda de cobertura. Cada situação precisa ser analisada conforme a alteração ocorrida e as condições do contrato.

O que pode acontecer na hora de um sinistro?

Agora imagine esta situação:

O carro está segurado como veículo de uso particular, mas passou a ser utilizado frequentemente em atividades de campanha eleitoral.

Durante um desses deslocamentos, ele sofre um acidente.

Na regulação do sinistro, podem aparecer informações como:

  • adesivos eleitorais;
  • materiais de campanha;
  • passageiros integrantes da equipe;
  • deslocamento relacionado à atividade;
  • uma rotina de utilização diferente daquela informada na contratação.

A partir daí, pode surgir uma pergunta que ninguém quer responder somente depois do acidente:

“O veículo estava sendo utilizado da forma informada à seguradora?”

Isso não quer dizer que haverá recusa automática. A seguradora deverá analisar as circunstâncias do acidente, as informações da contratação e as condições da apólice.

O problema é deixar para descobrir essa resposta apenas durante a análise do sinistro.

Devo avisar à seguradora que o carro será usado na campanha?

Se o veículo continuará com a mesma rotina e receberá apenas um adesivo, isso não significa necessariamente uma mudança relevante no risco.

Por outro lado, se o carro deixará de ser apenas o veículo da sua rotina particular e começará a circular frequentemente a serviço da campanha, o melhor caminho é conversar com a sua corretora antes.

A corretora poderá:

  • entender como o carro será utilizado;
  • conferir o que foi declarado na proposta;
  • consultar as regras da seguradora;
  • verificar se é necessário comunicar a alteração;
  • solicitar um endosso, quando aplicável;
  • registrar a orientação recebida da seguradora.

Endosso é o documento utilizado para formalizar determinadas alterações feitas no seguro durante a vigência.

Dependendo da análise, a mudança poderá ou não alterar o valor do seguro. Por isso, não existe uma resposta única que sirva para todas as seguradoras e para todos os veículos.

O carro poderá transportar pessoas da campanha?

Essa informação também deve ser apresentada à corretora.

É diferente levar ocasionalmente alguém conhecido e manter uma rotina de transporte de integrantes da campanha. Também é preciso observar se existe remuneração, frequência, finalidade profissional ou outro fator que altere o uso inicialmente informado.

Não presuma que a cobertura funciona de determinada forma. Peça a análise considerando a situação real.

E se o seguro for contratado durante o período eleitoral?

Se você já sabe que o carro será utilizado em atividades de campanha, informe isso desde o início da cotação.

Não declare uso exclusivamente particular se o veículo terá uma rotina diferente.

Responda ao questionário da seguradora de acordo com a utilização real do automóvel e peça à corretora que confirme o enquadramento correto.

Quanto mais claras forem as informações na contratação, menor será a possibilidade de dúvidas futuras.

O principal cuidado não é com o adesivo

O adesivo chama a atenção porque é visível. Mas ele não é, sozinho, o principal ponto da análise.

O cuidado deve estar na utilização efetiva do veículo.

Se o carro mudou de função, passou a circular com mais frequência ou começou a ser usado em uma atividade profissional, essa situação precisa ser verificada.

Portanto, antes de colocar o veículo a serviço de uma campanha:

  1. confira como o uso foi declarado no seguro;
  2. explique à corretora como será a nova rotina;
  3. solicite uma análise da seguradora;
  4. guarde a orientação recebida;
  5. faça o endosso, caso seja necessário.

Mudou o uso do carro? Converse com sua corretora

As eleições são o contexto deste alerta, mas essa orientação vale durante o ano inteiro.

Ela também se aplica quando o carro particular passa a ser utilizado para entregas, visitas profissionais, transporte por aplicativo ou qualquer outra atividade diferente daquela informada na contratação.

O problema não é simplesmente colocar um adesivo no carro.

O problema é mudar a forma como você utiliza o veículo e deixar o seguro com a informação antiga.

Eu sou Angélica Cunha, corretora de seguros e criadora de conteúdo no perfil @angelica.avant.

Meu trabalho é explicar seguros de maneira simples para que você entenda o que está contratando antes de precisar acionar.

Se pretende utilizar seu carro em atividades eleitorais, converse comigo para analisarmos as informações da sua apólice e consultarmos a seguradora responsável.

As regras de aceitação, enquadramento e cobertura variam entre seguradoras e produtos. A existência de adesivos ou materiais eleitorais não determina, isoladamente, a cobertura ou a recusa de um sinistro. Cada caso depende das circunstâncias, das declarações prestadas e das condições da apólice.


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Sobre a autora

Angélica Cunha — Corretora de Seguros
Embaixadora do Sincor Minas
Parceira da Rede Lojacorr
Avant Seg Adm. e Corretora de Seguros
SUSEP: 242158554
www.avantsegcorretora.com.br

Porque seguro se entende antes de precisar.

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